Publicado em: 14 de novembro de 20211.7 min. de leitura

Quantas vezes te julgaram, sem você saber? Quantas vezes te julgaram e você sabia? Você também aprendeu a julgar. O suor frio, a insegurança, os olhares, a cobrança. Ninguém ouve suas ideias, porque só importa a sua aparência. Só notam a sua voz, suas mãos trêmulas e sua forma de lidar com o que está a frente. Só notam o seu pavor. Sua fobia social. Engasga, tenta corrigir, tenta mostrar que está focado. Mas não adianta, a primeira impressão já foi estabelecida. Não há nada mais que você possa fazer. Está aí, todo a atrapalhado. Já notou. Eles notaram. Seu conteúdo é bom. A forma não é. Não sabe se portar diante de tantos olhos. A vontade é de fugir dos olhares. Os ombros encolhidos tentam carregar o peso da pressão. A vontade  é fugir dali. Sair correndo e se esconder. As emoções são desconexas. Você  não aprendeu a fingir e nem esconder as emoções ruins. Está tudo estampado na sua cara. No seu nervosismo. Seu confinamento é antes mesmo de qualquer quarentena. Seu vírus é a sua própria vergonha e insegurança. Olhos míopes. Só conseguem enxergar o fácil. Atacando seu sistema imunológico. Não há nenhum anticorpo para o julgamento. Isso faz parte da sua vida. Nunca soube acordar sem os ombros estarem duros. Criança, adolescente, jovem, adulto: a fase não importa. O sentimento sempre foi o mesmo. Em maior ou menor grau. Uma ansiedade avassaladora. Um medo avassalador. E cansa ouvir: vai passar. Porque já se passaram muitos anos e nunca passou. Existe uma chance de revolução interna. Pequena, mas existe.  Parece haver melhora. Mas nunca uma cura. A convivência com esse medo social pode ser eterna. Como contornar?Somente se tiver forças para isso. Não dá para superar sozinho. Sempre existirão outros olhos que mostrarão outros mundos. Melhor se agarrar a isso.

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