Childfree, na tradução literal significa livre de crianças, no entanto, o significado vai muito além da opção de não ter filhos. A tradução em si até denota certa hostilidade, quando na verdade, trata-se de uma opção de vida, um movimento que leva em consideração diversos fatores para a tomada de decisão, de não se ter um filho.
Nós vivemos em uma sociedade que parece quase sempre seguir um padrão.
É preciso estudar muito, trabalhar ainda mais, ganhar o máximo de dinheiro possível – de preferência no menor tempo possível – além disso, é necessário conseguir conciliar a vida pessoal, casar, ter filhos, e provavelmente, a mulher deve deixar o emprego para se dedicar exclusivamente ao cuidado dos filhos e da casa.
Eventualmente, umas férias em família naqueles locais de praxe, e assim a vida vai passando sem grandes surpresas.
Esse “padrão” funcionou muito bem por muitos e muitos anos, provavelmente foi o caminho seguido pelos nossos avós, e nossos pais, mas é certo que, em algum momento da história, esse padrão deixou de servir. E foi aí que surgiu o movimento Childfree.
A diminuição na taxa de natalidade é reflexo dessa tendência.
Historicamente podemos perceber uma diminuição na taxa de natalidade desde os anos 70, mas nessa época ainda era considerado tabu falar sobre a opção de não ter filhos, para a grande maioria, nem sequer poderia ser uma opção.
Em 2013 teve início um debate realizado pela Times, sobre a opção de ter ou não filhos. E desde então, quase 10 anos depois, muita coisa mudou, e hoje já podemos conversar sobre essa escolha mais abertamente, com mais pessoas.
Muito além de ter ou não ter filhos.
De modo geral, o movimento Childfree levanta questões muito além da escolha de construir uma família com filhos, trata também de questões sociais, ambientais e econômicas. Muitas mulheres optam por não ter filhos visando a preservação do meio ambiente, considerando que o mundo em si não suporta mais pessoas, já que, mais pessoas significa mais poluição, mais utilização de recursos naturais, mais esgotamento de todo o pouco que há.
Já uma outra parcela das pessoas, que fazem parte do movimento Childfree, decidiram focar em suas carreiras, dedicarem todo o seu tempo ao trabalho, crescimento pessoal e profissional, entendendo especialmente que, um filho é um trabalho extremamente importante e difícil, que deve ficar a cargo de pessoas que realmente estejam dispostas a se doarem muito para criar seus filhos.
É certo que é preciso abrir mão de muita coisa por um filho.
É preciso abrir mão do tempo livre para cuidar, é preciso abrir mão de noites de sono, às vezes do emprego, do futuro promissor, em alguns casos até de amigos, familiares e relacionamentos.
Mas o ato de não querer ter filhos também engloba alguma responsabilidade.
Muitas pessoas optam por não terem filhos com base em preocupações muito importantes e relevantes, como por exemplo: doenças hereditárias, más experiências de relacionamento com os pais, e a preocupação com a questão econômica.
Não há escolha sem julgamento.
Independente de qual for o motivo que levou alguém a fazer parte do movimento Childfree, uma coisa é certa – e se você também faz parte deste grupo – poderá se identificar: não há escolha sem julgamento, e é certo que, todas as mulheres que decidirem não ter filhos vão continuar ouvindo perguntas inconvenientes com bastante frequência, serão taxadas como solitárias ou egoístas.
Como dizia Simone de Beauvoir, “é preciso condenar a ideologia que incita as mulheres a se tornarem mães”. Somos seres livres, e devemos ter controle sobre nossas escolhas, até porque, o número de homens que não deseja ser pai, é consideravelmente maior que o de mulheres, e isso não costuma causar estranheza nas pessoas.
Muita cobrança gerada por uma sociedade que acha anormal não ter filhos.
Vivemos em uma sociedade que acredita que não ter filhos é uma anormalidade, e para os casais que optam em fazer parte do movimento Childfree, é preciso unir forças para vencer a ansiedade social que recai sobre essa relação, com a cobrança por filhos.
Todos devemos ser livres.
No fundo, você se sente livre para tomar decisões sobre sua própria vida, e seu futuro? Sente abertura por parte das pessoas que te cercam para falar sobre o assunto? Todos devemos ser livres e viver a vida à nossa maneira, com ou sem filhos, no contexto que escolhermos, seja ele qual for.
Precisamos sempre lembrar que, a sociedade muda o tempo todo, e não é nossa obrigação vivermos apenas para nos encaixarmos em padrões pré-definidos.
E você, o que pensa sobre este assunto? Deixe o seu comentário!
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Texto escrito por Francielle Bechtold, psicóloga, mestre em crítica textual pela Universidade de Lisboa e colaboradora do Conteúdo Natural. @psicofranbechtold