Cobre o rosto com a máscara, que disfarça a pele arranhada pela ansiedade. A escoriação vem da loucura da falta de controle. Ninguém controla nada aqui. A unha em contato com a pele, a pele em contato com o ar, que pode estar contaminado. Neurótica parece estar. Normal parece estar. São só pensamentos disfuncionais. Ou funcionais até demais. Realistas até demais. Tenta disfarçar as marcas cutâneas com pomadas vitaminadas, máscaras de argila. Nada sai, por ter atingido as camadas mais profundas. Não está mais na superfície. O sistema de defesa tenta corrigir um machucado causada por ela mesma. E quantas vezes ela não causou os próprios machucados? Difícil de fazê-los cicatrizar sem nenhuma mancha. Mais meia hora em frente ao espelho espremendo os problemas, as sujeiras do mundo, o caos que entope os poros. Uma hora se deixar, se ninguém sentir a sua falta. Depois do aperto, o alívio. Na sequência, a culpa. O pensamento em looping, confere e reconfere a hiperpigmentação. Entra em um ciclo onde a única coisa que importa é tentar corrigir a aparência do dano.